Tático / Militar

Histórias de guerra: já ouviu falar dos três heróis brasileiros?

Se você é um amante ou estudioso da ação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, com certeza já ouviu a história dos três heróis brasileiros mortos em Montese, Itália. 

A história, que já virou filme e livro, tomou um status de lenda com o passar dos anos, mas que deve ser lembrada sempre pelos admiradores do empenho dos nossos soldados. 

Quem foram os três heróis brasileiros? 

Geraldo Baeta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues de Souza eram três soldados do 11º Regimento da FEB que atuava em Montese no ano de 1944, um ano antes da grandiosa Batalha de Montese, que definiu os rumos do Front italiano.  

Os três foram agraciados pelas medalhas Sangue do Brasil e Cruz de Combate (de 1ª classe no caso de Arlindo e de 2ª Classe no caso dos Geraldos).  

Os três eram mineiros. Arlindo era da cidade de São João del-Rei, Geraldo de Souza era de Rio Preto e Geraldo da Cruz, de João Ribeiro.  

Por que eles são heróis? 

A história dos três é registrada em diversas fontes, algumas com alguns furos históricos, mas que concordam em pontos cruciais para entender o que ocorreu, ou não, naquele 14 de abril de 1944. 

Durante uma patrulha aos arredores de Montese, os três pracinhas brasileiros deram de cara com um extenso regimento alemão. Pelo rádio, a ordem era de rendição, já que três pessoas não eram páreas para um batalhão inteiro. 

Desobedecendo as ordens, mas com uma coragem invejável, os três mineiros abriram fogo contra os alemães. Da caserna veio o relato de que os brasileiros insistiam na batalha até que o último cartucho fosse deflagrado.  

Como era de se esperar, os três foram mortos pelo exército nazista, apesar de terem gerado diversas baixas para os inimigos. 

Pela coragem dos três, o comandante alemão responsável por aquele regimento, ao invés de enterrá-los em valas comuns, preparou três covas rasas com honras especiais. Nas cruzes cristãs colocadas nas covas se lia “Drei brasilianische helden”, ou “Os três heróis brasileiros”. 

Após a morte dos soldados, a FEB logo tratou de associá-los com a vontade e empenho do exército brasileiro, agraciando cada um com medalhas.  

Essa história é realmente verdade? 

Diversas fontes destacam essa história como real, mas como todo fato histórico, há algumas contradições. 

A primeira é que Geraldo Baeta da Cruz estava registrado como Padioleiro, aquele responsável pela retirada dos feridos do campo de batalha. Até esse ponto, nada contradizia a história dos heróis brasileiros, mas no livro “Montese, marco glorioso de uma trajetória”, escrito pelo Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, chefe do 11º regimento, citava que Geraldo havia sido morto por uma granada ao tentar retirar os corpos do local. 

Podemos citar mais duas contradições dessa história: Baeta e Rodrigues, ao contrário de Arlindo, foram agraciados pela Cruz de Combate de 2ª classe que denota bravura em combate coletivo, não individual. Por sua vez, Arlindo foi registrado como morto em 1945, em Natalina, não Montese. 

Apesar de haver contradições, isso não apaga o fato de que essa história serviu de fôlego extra aos combatentes brasileiros que estavam na linha de frente.  

Não há como provar que essa história é realmente verdadeira, mas também não há como provar que é totalmente falsa. O que podemos tirar dela, é que, ao contrário do que alguns zombam, nossos soldados tiveram participação direta nas maiores batalhas da Segunda Guerra e além desses três heróis brasileiros, tivemos milhares de outros.  

Fonte: Portal FEB

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