Capelão Militar: E aí, guerreiros, tudo certo? No dia 13 de fevereiro, o Exército Brasileiro comemora o Dia do Serviço de Assistência Religiosa (SAREx), mais popularmente conhecido como serviço de capelania militar e também chamada de capelania castrense.

Nós do blog da Rafale prestamos a mais justa homenagem aos capelães militares que representam a fé em Deus e o amor à Pátria.

O que é um CAPELÃO MILITAR?

Eles usam farda, aprendem a marchar e passam pelo mesmo curso de treinamento para ingressar na carreira. São chamados pela patente e têm porte de arma em algumas organizações militares. Em meio ao tradicional uniforme das Forças Armadas, ou de segurança pública, um símbolo na ombreira os identifica: a cruz latina ou a Bíblia aberta com um facho. São sacerdotes e pastores contratados pelo Estado para uma função religiosa na tropa. Eles também embarcam em missões e eventos específicos, mas para levar a espiritualidade e o apoio humano e social aos integrantes das corporações.

A vida na CAPELANIA MILITAR

O capelão militar é um soldado singular. Embora envergando o mesmo uniforme e convivendo com os seus companheiros, é alheio ao manejo das armas e às táticas de combate. A sua missão, nobre e humanitária, consiste em promover a fé, curar as almas, elevar o moral e reacender a chama da esperança nos corações dos combatentes do Exército Brasileiro. Ele deve ser o homem de Deus dentro da Caserna, a presença de Cristo entre os militares. Sua conduta deve transparecer mansidão, humildade, misericórdia, bom senso. Deve possuir um hábito de constante oração e de apostolado profícuo, cultivar os valores do Evangelho através de sua pregação e de seu testemunho de vida, ser verdadeiro pastor, representante de Jesus no seio da Unidade.

Função de Capelania Militar previsto no art. 15 do Estatuto do Ordinariado Militar do Brasil:

1. Serão destinados para o serviço religioso no Ordinariato Militar sacerdotes do clero secular e do clero religioso, formando um só Presbitério. Os sacerdotes do clero secular poderão ser incardinados no mesmo Ordinariato, segundo as normas do Código de Direito Canônico. Os sacerdotes incardinados no Ordinariato Militar, uma vez completado o serviço nas Forças Armadas, poderão regressar às suas circunscrições eclesiásticas de origem, observadas, porém, as normas do Direito. Pelo contrário, os candidatos promovidos ao Diaconato para prestarem serviço no Ordinariato Militar, permanecem neste incardinados.

§2. Os sacerdotes designados estavelmente para o serviço das Forças Armadas são denominados “Capelães Militares”, gozando dos mesmos direitos e deveres canônicos análogos aos Párocos. Os direitos e deveres devem ser entendidos cumulativamente com os do Pároco local, em conformidade com os artigos IV e VII da Constituição Apostólica Spirituali Militum Curae.

Confira a Lei número 6.923, de 29 de junho de 1981, que dispõe sobre o Serviço de Assistência Religiosa nas Forças Armadas.

Frei Orlando: patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército

Antônio Álvares da Silva, O frei Orlando. Orfão com apenas um ano de idade, foi criado por família que prezava a Religião católica. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja, a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote, em 24 de outubro de 1937. Não era mais Antônio, mas, sim, o Frei Orlando.

Ordenado frade, frei Orlando foi para São João del-Rei, onde lecionou no Colégio de Santo Antônio, um estabelecimento de ensino dirigido pela Ordem dos Franciscanos Menores. Tinha 24 anos de idade. Caridoso, o jovem padre instituiu a “Sopa dos Pobres”, uma obra de assistência social que chegou a receber o apoio voluntário de muitos integrantes do 11º Regimento de Infantaria (11º RI). Nessa época, deparou com os preparativos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Segunda Guerra Mundial, vendo a cidade em polvorosa com a chegada dos muitos convocados para integrar os contingentes da FEB.

Viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei, Frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros.

Tempos depois, às vésperas da tomada de Monte Castello, durante uma visita à linha de frente, Frei Orlando morreu vitimado por um tiro acidental de um partisan (membro da resistência italiana ao nazifascismo). Contava com 32 anos de idade.