Resenha enviada por Germano Martinelli, cliente Rafale, sobre a experiência de usar a Bota tática militar SW Military Rafale no inverno de Moscou.

“Montanhista e expedicionário já não de primeira viagem, eu tinha um novo desafio à minha frente: minha primeira ida a temperaturas abaixo de -10°C, a Moscou no inverno (já havia estado lá no verão anterior: conhecia o país, mas não o seu inverno). Os três itens de roupa mais importantes a serem considerados em tais condições climáticas são: chapéu, casaco (camada mais externa) e calçado. Aos dois primeiros eu, por sorte, já tinha respostas mais que adequadas: uma ushanka (o estereotípico chapéu russo) autêntica uma vez comprada no Canadá e um casaco de ski adquirido na Patagônia. Faltavam os sapatos: o que aguentaria constante contato com a neve sem nem molhar nem estragar, e além disso manteria o calor nos pés?

No Brasil, qualquer bota “feita para clima frio” seria importada e custaria bastante caro, portanto tive a ideia de levar para a Rússia minhas Botas SW Military da Rafale Calçados – que seguem exatamente o modelo dos coturnos utilizados pelas Forças Armadas e Auxiliares do País -, complementadas com um par de polainas para neve da excelente marca paranaense de equipamentos outdoor Conquista, cujo fundador é meu amigo. Caso precisasse, compraria em Moscou mesmo uma bota mais adequada, pois lá, por motivos óbvios, elas se vendem a cada esquina. Não precisou.

O inverno mais rigoroso na Rússia desde 1957

Chegando em Moscou no exato dia, 4 de fevereiro de 2018, em que foi declarado o mais rigoroso inverno na Rússia europeia desde 1957 , involuntariamente coloquei as botas “para ralar” desde o primeiro momento. Vesti o chapéu, os dois lenços da BUFF que tenho (pela primeira vez em duas camadas, um dentro do outro! – geralmente os revezo…), as polainas e o casaco de ski, equipei a mochila de 18kg nas costas e a de 8kg na frente e, após um trem do aeroporto a uma estação periférica do lendário metrô moscovita, e um trecho de metrô de lá até o centro – onde eu estava hospedado nesse primeiro dia antes de ir para o local onde pousaria por boa parte do mês -, emergi do subterrâneo à superfície nevada a -10°C, sentindo temperatura negativa pela primeira vez em quase dez anos, com neve deste mais rigoroso inverno caindo forte do céu e, por conta do vento, quase horizontalmente na face. Daí até o hotel de trânsito, caminhei um quilômetro inteiro, estranhando como a bateria do celular se esvaia rapidamente, e parando um par de vezes em estabelecimentos para descongelar a face e o chapéu e limpar a neve de cima das mochilas (para que o equipamento dentro, principalmente apetrechos eletrônicos, não corresse o risco de se danificar).

Não cabe descrever todas as peripécias da viagem em um texto dedicado a resenhar o calçado usado diuturnamente nela, portanto me aterei a mais um par de episódios que mostram o brilhantismo com o qual ela cumpriu sua missão.

Saltando de parapentes pela primeira vez

– Em um domingo, fui convidado por uma amiga a saltar de parapente pela primeira vez , no campo aberto onde o grupo dela sempre pratica, com neve até a cintura. No caminho, precisamos desatolar o carro (o que envolve entrar na neve até a cintura, cavar por debaixo do carro, e então empurrá-lo). Então, chegando no campo, precisamos esperar mais de uma hora, em pé, expostos ao frio próximo de -5°C, até que as condições climáticas permitissem a decolagem. No fim das contas, ironicamente, eu “saí PQD” na Rússia utilizando essa bota marrom, a mesma utilizada na Brigada, com a mesma amarração deles, que meu instrutor de Krav-maga, médico paraquedista da reserva, me ensinou.

Sal para derreter neve do inverno de Moscou

– Durante o inverno de Moscou conheci um novo elemento, que nunca fora tratado nas minhas instruções de cuidados com o coturno no Exército: o sal colocado por cima do gelo para derretê-lo, tanto em ruas e avenidas quanto em lugares de circulação de pedestres. As Botas ficaram cobertas com esse estranho novo elemento várias vezes, o que poderia desidratar o couro e torná-lo quebradiço. A minha amiga do parapente então, em boa hora, me apresentou uma solução usada para dissolver esse sal e reidratar os sapatos (foto abaixo), ubícua em lugares com esse clima. Limpei as Botas, apliquei esse produto, engraxei, e – novas! Prontas para mais andanças.

Em conclusão, esse par de Botas Rafale, escolhido às pressas para uma situação para a qual ele não foi diretamente projetado, com uso de longa duração e alta intensidade, superou qualquer expectativa que eu podia guardar no inverno de Moscou. À medida que me aclimatava ao frio, eu já usava menos camadas internas de roupa e dispensava as polainas – e mesmo assim nenhuma neve se infiltrava pelas Botas.

Eu já era cliente fiel da marca por ela fabricar calçados operacionais de ótima qualidade a preços justos, e também para fazer a minha parte em apoiar as empresas nacionais de equipamento operacional – sabemos que não é simples para tais empresas se sustentarem na atual situação do País – mas, finda esta campanha extrema à qual submeti esses coturnos, minha fidelidade se reforçou ainda mais’.